Recuperação de solo salino do semiárido de Pernambuco pelo uso de condicionadores de solo e cultivo de Chenopodium quinoa Willd.
Água cinza, fitorremediação, Chenopodium quinoa Willd.
O abandono de áreas no Semiárido brasileiro tem-se tornado uma prática constante, devido a degradação desses solos causada principalmente pela salinização. Os solos do Semiárido apresentam naturalmente uma tendência a salinização, devido ao clima da região. O manejo inadequado desses solos (uso de águas salinas) intensifica e acelera o processo de salinização, sem que haja uma intervenção, esses solos tendem a se tornarem inviáveis para a produção agrícola. Diante de todos impactos socioambientais, faz-se necessário o desenvolvimento de técnicas que visem a mitigação do impacto de águas salinas nos solos do semiárido, promovendo a remoção desses sais do solo, através de uma cultura tolerante. Desta maneira, a presente dissertação objetivou avaliar o desempenho da Chenopodium quinoa Willd, irrigada com água cinza e o potencial de condicionadores de solo, em mitigar os efeitos da salinização na planta e no solo. O experimento foi conduzido em delineamento inteiramente casualizado, em arranjo fatorial 2 x 5 e quatro repetições, sendo o primeiro fator as águas de irrigação (água potável e água cinza) e o segundo os condicionadores avaliados. A água cinza utilizada foi captada em uma residência rural, que possui um sistema de tratamento físico para reúso de água cinza (RAC), a água potável foi proveniente do abastecimento da Universidade. Para isso, foi utilizado Cambissolo Flúvico, o qual foi coletado na camada superficial (0-20 cm), peneirado e uniformizado para a montagem do experimento e para as caracterizações químicas e físicas. O solo foi acondicionado em vasos de polietileno com 15 kg de solo, onde receberam os condicionadores e suas respectivas águas de irrigação: T1: testemunha (sem condicionador de solo), T2: 1 aplicação do fertilizante organomineral, T3: 2 aplicações do fertilizante organomineral, T4: 3 aplicações do fertilizante organomineral, T5: matéria orgânica. A irrigação foi realizada em turno de rega de 72 horas, aplicando-se uma lâmina de irrigação equivalente a 85% da capacidade de campo. A dose do fertilizante organomineral foi de 20 ml vaso-1 a cada aplicação, e para a matéria orgânica foi incorporada ao solo 160 g vaso -1. Quinzenalmente foram avaliados os parâmetros biométricos e fotossintéticos das plantas. Aos 70 dias após o transplantio das mudas, estas foram coletadas e fracionadas em raízes, hastes, folhas e panícula para obtenção de suas massas frescas, secas e totais; alocação de biomassa relativa, sódio, cloreto e potássio nas partes vegetais; além da medida de condutividade elétrica do extrato de saturação (CEes), pH, determinação dos teores de sódio, potássio e cloreto, e cálculo da porcentagem de sódio trocável no solo após o experimento. Foram também determinadas, a alocação de sódio e cloreto e o potencial de fitorremediação. Perante as condições estudas em que a cultura foi submetida, foi constatado que a quinoa teve uma excelente adaptação nos níveis mais elevados de salinidade, não interferindo em seu desenvolvimento. O tratamento 3 aplicações do fertilizante organomineral, proporcionou a planta melhores condições quando irrigada com água cinza. No entanto a quinoa não apresentou boa eficiência na remoção dos sais do solo, a medida em que o solo foi sendo irrigado os valores da CEes, PST, e os teores de sódio, cloro e potássio, foram aumentando. O uso desta cultura associada a irrigação com água cinza deve ser realizado com cuidado, uma vez que, a quinoa não se mostra como boa extratora de sais.