Fertilização boratada via estipe em coqueiro anão-verde: Estado nutricional, produtividade e qualidade físico-química da água de coco.
Fertilização via estipe; nutrição com boro; coqueiro
A produtividade do coqueiro em solos arenosos tem sido limitada pela deficiência de B. Essa deficiência vem sendo corrigida pela aplicação de B via solo ou axila foliar. Todavia, a aplicação via solo tem promovido elevadas perdas por lixiviação, sobretudo em períodos de alta pluviosidade. Por outro lado, a aplicação via axila é demorada, e quando em fase de produção, é operacionalmente impraticável. Nesta perspectiva, o emprego da técnica da endoterapia pode ser uma alternativa promissora. Para tanto, é necessário quantificar doses adequadas e conhecer que fontes de B podem ser utilizadas. Assim, o objetivo deste trabalho foi avaliar o comportamento de atributos fisiológicos e bioquímicos e a nutrição boratada de plantas de coco fertilizadas com quantidades crescentes de diferentes fontes de B via estipe e solo, além de avaliar a produtividade e a qualidade físico-química da água do fruto do coqueiro. A pesquisa foi desenvolvida em uma fazenda comercial produtora de coco, localizada na região do Platô de Neópolis – SE, utilizando-se um produto comercial como uma das fontes de B, duas formas de aplicação (via estipe e solo) e três testemunhas adicionais (sem aplicação de B; aplicação de B como ácido bórico via solo e aplicação de B como ácido bórico via estipe). Foram estudadas cinco doses de B utilizando como fonte o produto comercial (2; 4; 6; 8 e 10 g planta-1). A aplicação de ácido bórico foi realizada utilizando uma dose única de 5 g planta-1. As doses foram parceladas em três aplicações anuais. A nutrição boratada foi avaliada pela mensuração dos teores de B na folha diagóstica aos 15, 30, 60, 90 e 120 dias após cada aplicação de B, além da determinação do nível crítico de B na folha e na água de coco, bem como o incremento do teor de B com a aplicação das doses nas diferentes fontes de B utilizadas; avaliou-se atributos fisiológicos e bioquímicos, como: teores de clorofila a, b, relação clorofila a/b, carontenoides, extravasamento de eletrólitos, concentração de peróxido de hidrogênio e peroxidação lipídica; avaliou-se também componentes de produção, como: número de folhas, abortamento de frutos, peso do fruto, número frutos por cacho, volume de água de coco, produtividade em litros de água por planta ano-1, produtividade em número de frutos por planta ano-1; e, finalmente, avaliou-se também a qualidade físico-química da água de coco, como: condutividade elétrica, pH, acidez total titulável, teores de sólidos solúveis totais, relação entre teores de sólidos solúveis totais e acidez titulável e teores de B na água de coco. A aplicação de B via estipe promoveu incremento nos teores de clorofila a e, redução do extravasamento de eletrólitos, espécies reativas de oxigênio (H2O2) e danos de peroxidação lipídica. Além disso, proporcionou maior período residual de B na folha ao longo do tempo, sendo a forma mais eficiente na absorção desse nutriente. O nível crítico de B na folha e na água de coco foi de 33,48 mg kg-1 e465,44 µg L-1, respectivamente, para um nível de produtividade 315 de frutos por planta ano-1. A dose de 7,9 g planta-1 aplicada via estipe proporcionou a máxima produtividade de frutos. A aplicação de B via solo utilizando como fonte o produto comercial (10 g planta-1) e ácido bórico (5 g planta-1) é insuficiente para promover aumento na produtividade de frutos. Assim, doses maiores devem ser utilizadas. A aplicação de B via estipe utilizando como fonte o produto comercial promoveu aumento da qualidade físico-química da água de coco, com destaque para os teores de sólidos solúveis totais, acidez total titulável e na relação sólidos solúveis totais/ acidez total titulável e nos teores de B. Aplicação de B via estipe, independentemente da fonte promoveu necrose dos tecidos internos do coqueiro. Portanto, as próximas pesquisas devem buscar soluções nutricionais específica, empregando o produto comercial para aplicação via estipe, com enfoque na reação no sistema vascular do coqueiro, visando dar sustentabilidade a essa técnica a médio e longo prazo. Sugere-se que, esses estudos, se iniciem reduzindo o pH da fonte de B utilizada como fertilizante a ser aplicado via estipe.