Modelagem estocástica de elementos climáticos via cópula determinantes na produtividade da manga Palmer no vale submédio do Rio São Francisco
semiárido, mudanças climáticas, seleção de cópula, mapa de probabilidade, manguito, Mangifera indica.
A variabilidade climática semiárida aliada as mudanças climáticas em curso afetam os sistemas agrícolas no mundo com impactos nas culturas, no rendimento de lavouras e ameaçam à segurança alimentar global. A região do vale do submédio do Rio São Francisco vem sofrendo com essas mudanças que têm trazido prejuízos expressivos advindos da queda na produtividade dos pomares e da desqualificação de frutos para comercialização, seja pelo aumento nos índices pluviométricos durante a colheita da uva de mesa ou pelo efeito nocivo que altas temperaturas e baixa umidade relativa do ar tem causado durante a floração/início da frutificação em mangueiras cv. Palmer. Portanto, tão importante quanto quantificar é prever eventos extremos relacionados a alta temperatura e baixa umidade relativa do ar para compreensão do mecanismo de resposta da vegetação natural e dos cultivos agrícolas às mudanças climáticas. Neste contexto, a inferência e a análise estatística são ferramentas comuns para estimar o risco de eventos de interesse e, a utilização de cópula tem sido uma escolha natural pois é flexível para construir distribuição multivariada e capturar a estrutura de interdependência entre as múltiplas variáveis envolvidas. Assim, o objetivo deste trabalho foi selecionar cópulas para análises conjuntas de temperatura e umidade relativa do ar e espacialização de probabilidades na região do vale do submédio do Rio São Francisco. O estudo foi realizado com dados diários de temperatura e umidade relativa do ar obtidos entre os anos de 2003 a 2018 em 17 estações meteorológicas da região. Á cada mês de dados ajustou-se 12 modelos de probabilidades e 10 modelos de cópulas que apresentaram os melhores desempenhos para estimativas uni e bivariadas. Para a maioria dos meses as distribuições Log-Logística-Exponenciada, Generalizada de Valores Extremos e as cópulas de Plackett e de Frank foram as que mais se adequaram para modelar a temperatura e a umidade relativa do ar na região do vale do submédio do Rio São Francisco. Outubro e novembro são os meses em que a maior parte da região do vale do submédio do Rio São Francisco estão sujeitos a temperaturas máximas e médias, respectivamente, acima dos limiares de 31,6°C e 26,1°C com 90% de probabilidade. Outubro e novembro também são os meses com maiores riscos de temperaturas máximas superiores a 33°C associado a ocorrência simultânea de umidade relativa mínima do ar inferior a 30%. Por isso, novembro é o mês com maior probabilidade da ocorrência de temperatura e umidade relativa do ar inadequados ao florescimento de mangueiras ‘Palmer’ e, portanto, mais propício à ocorrência de frutos estenoespermocárpicos na colheita em abril ou maio, considerando o ciclo da variedade.