SEQUESTRO DE CARBONO E EFICIÊNCIA NO USO DE ÁGUA EM PALMA FORRAGEIRA CULTIVADA NO AGRESTE DE PERNAMBUCO
Eddy covariance, evapotranspiração, EUA, Opuntia cochenillifera, semiárido, sequestro de carbono.
O semiárido brasileiro é uma das regiões que mais enfrentam os efeitos das mudanças climáticas, que colocam em risco a manutenção dos ecossistemas e da produção agropecuária. Mudanças no uso e ocupação dos recursos edafoclimáticos alteram a dinâmica atmosférica e perturbam as trocas líquidas de energia entre o solo e a atmosfera. Algumas espécies vegetais adaptadas ao semiárido podem ser alternativas promissoras para a mitigação dos efeitos das mudanças climáticas, um exemplo disso é a palma forrageira (Opuntia cochenillifera), que é uma espécie xerófita devido a sua morfologia e sua fisiologia, além de apresentar elevada tolerância em ambientes com períodos de intensa estiagem. Várias pesquisas vêm sendo realizadas para se medir os fluxos de água, energia e CO2 em agroecossistemas e ecossistemas no Brasil e no mundo, com o objetivo de determinar se está ocorrendo emissão ou sequestro de carbono. Contudo, pesquisas sobre a dinâmica desses fluxos em palma forrageira ainda são escassas. Deste modo, com este estudo, objetivou-se avaliar a evapotranspiração, os fluxos de energia e de CO2 da palma forrageira. Para este fim, foi instalada uma torre micrometereológica numa área de produção de palma forrageira em São Bento do Una– PE. Esta torre encontra-se equipada com um anemômetro sônico tridimensional e um analisador de CO2 e H2O, obtendo os valores para os fluxos de CO2, de saldo de radiação (Rn) e dos fluxos de calor latente (LE) e de calor sensível (H), além da evapotranspiração (ET), por meio da metodologia da correlação dos turbilhões. Também foi mensurado a eficiência no uso de água (EUA) e a produtividade da palma forrageira. Dos resultados, constatou-se que H foi superior a LE o que indica que a mairor parte do Rn foi usada no aquecimento do ar. A EUA cresceu concomitante a produtividade líquida da palma. A palma atuou na maior parte do tempo sequestrando carbono atmosférico, com um sequestro médio de carbono de 3,87 t. ha-1. Devido a sua grande aptidão a tipos de solos e sua alta resistência ao estresse hídrico, a palma destaca-se como uma importante opção de produção na gama de plantas forrageiras e uma alternativa mediante cenários de mudanças climáticas perante sua preservação e sua iminente potencialidade de integração ao mercado de créditos de carbono e de serviços ambientais prestados à sociedade.