Modelagem e simulação da dispersão de poluentes atmosféricos aplicadas a uma via urbana, utilizando o modelo HYSPLIT
Poluição do ar; Inventário de emissão veicular; Estação de monitoramento; Concentração de poluição; Trajetórias do ar.
O crescimento populacional, sobretudo nos centros urbanos, tem levado a um aumento significativo da frota de veículos, o que resulta em maiores emissões de poluentes no ar, afetando a saúde da população e o meio ambiente. Nesse primeiro caso, cerca de 4,2 milhões de mortes estima-se ocorrer em decorrência da poluição do ar por ano. Soma-se a isso os impactos destrutivos causados no ecossistema, que contribuem para o aquecimento global. Dessa forma, as emissões veiculares são identificadas como uma das principais fontes causadoras da poluição do ar atmosférico em regiões urbanizadas. O objetivo desta investigação foi quantificar e simular a dispersão da poluição atmosférica decorrente das emissões atmosféricas em pontos de alto tráfego veicular na Av. Agamenon Magalhães, Recife, Pernambuco, em período previamente selecionado, por meio da modelagem matemática, utilizando o HYSPLIT. Para isso, foi realizado o inventário de emissões veiculares em 2021, que buscou quantificar e analisar as emissões de poluentes atmosféricos provenientes de veículos automotores, fornecendo base de informações sólidas para possíveis tomadas de decisões relacionadas ao controle da poluição. A partir do modelo HYSPLIT, foram feitas as simulações das dispersões atmosféricas das emissões veiculares, com vistas a identificar as áreas com maiores concentrações e avaliar a qualidade do ar, além de observar as trajetórias do ar a partir do ponto das emissões. Os resultados, obtidos ao longo da investigação, oferecem dados importantes para a compreensão das emissões veiculares e sua relação com a qualidade do ar, assim como possibilidades de reflexão do uso de estratégias para o controle de poluição. Nesse contexto, foi observado um aumento de aproximadamente 216% no número de veículos em Recife ao longo de 30 anos (1991-2021). No ano de 2021, os veículos leves (automóveis) representaram 57,12% da frota total de Recife e desempenharam um papel significativo nas emissões de CO e CO2. Notavelmente, durante os fins de semana (sábado e domingo), foi constatada uma redução média de 27% nas emissões poluentes. Além disso, por meio da modelagem realizada, foi possível identificar as áreas mais impactadas, abrangendo até 10 km de raio a partir dos pontos de emissão. Bairros como Espinheiro, Encruzilhada e Alto José Bonifácio se destacaram como áreas afetadas. No que tange aos efeitos na saúde humana, as avaliações permaneceram em conformidade com os padrões estabelecidos pelo Conama 491/2018. As simulações das trajetórias do ar revelaram que 83% das correntes de vento saem Sudeste, enquanto apenas 17% saem Nordeste. Isso sugere a necessidade de se considerar a localização como uma variável essencial para uma instalação de estação de monitoramento futura em Recife, a fim de proporcionar uma compreensão mais abrangente da qualidade do ar na região. Em síntese, esta pesquisa não apenas delineou possíveis diretrizes para investigações futuras sobre a poluição atmosférica, levando em consideração o crescimento populacional e a urbanização, mas também contribuiu para a reflexão de cenários futuros. Ademais, ofereceu subsídios para uma possível consideração sobre estratégias de planejamento urbano sustentável, promovendo abordagens mais conscientes e eficazes para o desenvolvimento urbano.