Modelagem da dispersão de odor no ar proveniente de efluente têxtil utilizando o software AERMOD.
Odor; efluente têxtil; AERMOD; fotocatálise heterogênea; nanomaterial.
As indústrias têxteis são consideradas um dos grandes responsáveis pela poluição hídrica, e emissão de gases causadores de odor, além de consumir de elevados volumes de água. Este problema se agrava na região semiárida do estado de PE a qual apresenta grande escassez dos recursos hídricos. No Arranjo Produtivo Local (APL) são gerados efluentes com altas taxas de matéria orgânica responsáveis pelo elevado teor odorífero no ar atmosférico, principalmente devido à decomposição anaeróbia gerando compostos de nitrogênio e enxofre. Esses gases odorantes são compostos por uma mistura onde uma das substâncias principais é o gás sulfídrico (H2S), altamente tóxico e corrosivo. Este trabalho foi realizado em duas etapas, na primeira foi realizada a simulação da dispersão de H2S na lavanderia por meio do software AERMOD, que gerou o alcance espacial do odor e seus impactos causados nas regiões afetadas a partir da fonte geradora. Embora no Brasil, não exista legislação aplicável para substâncias odoríficas, os resultados do estudo são apenas indicativos e sem efeito legal. Os resultados do modelo revelaram que as médias encontradas das concentrações anuais em 2019 e 2020 foram de 10 UO/m3, acima do limite 1 UO/m3 determinado em legislação internacional. As concentrações de odor que violam o limite da qualidade do ar, simuladas pelo modelo forma registradas no valor de 0,12 UO/m3 ao longo de 2019 e 2020 em relação ao curto período de tempo de 24 horas. Portanto, estudos de monitoramento da dispersão de gases odoríferos por simulação AERMOD podem prevenir riscos de inalação de produtos químicos, proteger o meio ambiente e diminuir os custos futuros com a saúde pública, mas precisam de aperfeiçoamento em curtos períodos de exposição. Na segunda parte, um método hidrotérmico foi proposto para produção de um nanomaterial composto por dióxido de titânio e óxido de grafeno (10% em peso) (TiO2-OG). A fotocatálise heterogênea é uma tecnologia limpa que sob iluminação é capaz de degradar substâncias causadoras de mal odor encontrados na água e no ar e no efluente. O nanomaterial foi utilizado como fotocatalisador no tratamento de efluente, onde foi investigada a remoção de cor e DQO e a diminuição dos picos característicos apresentados no espectro UV-Vis. Técnicas analíticas de caracterização: DRX, FTIR e EDS foram realizadas para avaliar a estrutura, grupos funcionais e composição elementar do nanomaterial. A dosagem de TiO2-OG e o pH foram estudados para encontrar a condição ótima de operação. Os resultados revelaram que o tratamento apresentou maior eficiência de remoção da cor quando o sistema estava nas condições de 0,5 g de nanomaterial, pH 3, radiação UV-A e eficiência de 84,53 % na remoção da cor. O teste cinético mostra uma remoção de DQO de 87% após 90 minutos. O teste de reutilização mostra uma diminuição na remoção de DQO após quatro ciclos atribuída à deposição de alguns compostos oxidados na superfície do catalisador. Por fim, avaliou-se a eficiência do fotocatalisador sob radiação solar e mostrou-se que apesar dos bons resultados, o desempenho do TiO2-OG foi melhor sob radiação UV-A.