AVALIAÇÃO DA ATIVIDADE ANTIMICROBIANA E ANTIOXIDANTE DE DIFERENTES EXTRATOS DA CASCA DE JUREMA PRETA (Mimosa tenuiflora)
Compostos fenólicos, flavonoides, tanino condensado.
A Caatinga é um bioma exclusivamente brasileiro, localizado predominantemente na região nordeste do país, é caracterizada pelo clima semiárido e pela flora e fauna adaptadas a seca. Dentre as várias espécies vegetais encontradas na região, a Mimosa tenuiflora (Willd.) Poir, conhecida popularmente por jurema preta, ganha destaque na medicina popular, pelos efeitos antioxidantes e antimicrobianos, devido ao potencial para a produção de taninos condensados. Objetivou-se avaliar a atividade antimicrobiana, antioxidante e a capacidade de quelação de íons metálicos ferro (Fe2+) e cobre (Cu2+) de diferentes tipos de extrato da casca da jurema preta. A coleta do material foi realizada na fazenda experimental da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE), no município de Garanhuns-PE. A amostras foram submetidas a secagem, moagem e extração, a purificada, a etanólica e a aquosa. Os ensaios antimicrobianos foram realizados pelo método de diluição em caldo utilizando-se duas cepas Staphylococcus aureus 25923 e Staphylococcus aureus PE 86. E para os ensaios antioxidantes foram utilizados os métodos de DPPH e ABTS, e as atividades quelantes de cobre e ferro. Os extratos foram analisados nas concentrações de 62,5, 125, 250, 500 e 1000 µg/mL. Os resultados apresentaram que todos os extratos apresentaram atividade antimicrobiana significativa, variando com o tipo de extrato, concentração e cepa bacteriana, com resultados acima de 80% nas concentrações intermediárias contra a ação. A inibição frente a cepa ATCC 25926 mostrou-se mais elevada para os três extratos, com valores de 81,51% e 85,14% nas concentrações de 500 e 250 µg/mL, respectivamente, para o extrato purificado. E com valores de 82,95% e 84,49% para a concentração de 500 µg/mL, para os extratos etanólico e aquoso, respectivamente. E para a cepa PE 86, a inibição antimicrobiana se mostrou inferior em comparação a primeira cepa testada. A atividade antioxidante, avaliada pelo método ABTS e DPPH, nas maiores concentrações mostraram valores próximos a 84%, indicando elevada capacidade antioxidante, com maior eficiência para o ensaio do ABTS. No ensaio de quelante de Fe, os extratos apresentaram comportamento semelhante, com valores superiores a 60% nas maiores concentrações de 100, 500 e 250 µg/mL, com máximo de 62,80% a 500 µg/mL, para o extrato purificado. Em relação a quelação de Cu, o tanino purificado apresentou 63,54% e 62,52% nas concentrações de 1000 e 500 µg/mL, respectivamente, reduzindo acentuadamente para 10,77% na concentração de 62,5µg/mL. Os extratos etanólico e aquoso de tanino apresentaram valores máximos de 65,50% e 64,12% a 1000 µg/mL, respectivamente. Conclui-se que os taninos condensados da casca de Mimosa tenuiflora apresentam expressivo potencial antimicrobiano, antioxidante e quelante, independentemente do método de extração, evidenciando sua aplicabilidade como alternativa natural.