ADIÇÃO DE TANINOS CONDENSADOS PURIFICADOS DE Mimosa tenuiflora (Willd.) Poir.) COMO ADITIVO EM DIETAS COMPOSTAS POR DIFERENTES LEGUMINOSAS FORRAGEIRAS DO SEMIÁRIDO
digestibililidade; leguminosas; fracionamento; produção de gás in vitro; compostos secundários
Diversas biomoléculas têm sido estudadas como potenciais aditivos fitogênicos na alimentação de ruminantes, possibilitando aumento da produtividade e redução de impactos ambientais. Considerando-se a importância da diversidade de espécies disponíveis para a alimentação de ruminantes no Semiárido, objetivou-se estimar o efeito de doses crescentes de extrato de tanino condensado de Mimosa tenuiflora: 0, 0,5, 1,0, 1,5, 2,0, 2,5 e 3,0% da matéria seca (MS) da dieta como aditivo em dietas compostas por diferentes fontes de proteína de leguminosas nativas e exóticas: cunhã, gliricídia e jureminha, sobre a sob digestibilidade, degradabilidade e produção de gases in vitro. As dietas foram compostas por 65% de volumoso (25% de feno de tifton-85, 10% de palma forrageira orelha de elefante e 30% de uma das leguminosas), o concentrado representou 35% da MS da dieta (23% milho triturado, 10% de farelo de soja, 1% de ureia pecuária e 1% de mistura mineral comercial). Foram realizadas análises de composição química, fracionamento de proteínas, parâmetros de degradação e fermentação ruminal, digestibilidade in vitro da matéria seca e da degradação ruminal. As amostras de leguminosas para compor as dietas e para a extração do TC foram coletadas, em cinco repetições por espécie, na fazenda experimental da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE), no município de Garanhuns-PE. O fracionamento de proteínas foi realizado com base no Cornell Net Carbohydrate and Protein System (CNCPS). A avaliação da degradação da matéria orgânica e dos produtos da fermentação ruminal foi realizada por meio da técnica in vitro de produção de gases semiautomática. A degradabilidade ruminal e a digestibilidade dos nutrientes foi estimada pela técnica de dois estágios. Todas as espécies avaliadas apresentarem teores de proteína bruta (PB) acima de 230 g/kg de MS, entretanto a cunhã se destacou apresentando os maiores teores de PB (350,65 g/kg MS) e da fração A da proteína (30,10 g/kg MS). A gliricídia e jureminha, apresentaram maiores concentração da fração B1 + B2 da proteína, 69,57 e 67,44 g/kg PB, respectivamente. A fração C, que corresponde ao nitrogênio indisponível para o metabolismo animal, foi maior na espécie jureminha (P<0,05) e menor para as espécies cunhã e gliricídia. Houve interação entre as fontes de proteína na dieta (cunhã, gliricídia e jureminha) e os níveis de TC para a produção total de gás (P<0,05), entretanto não foi observada interação para os parâmetros de degradação das dietas. A dieta com gliricídia apresentou elevado potencial de digestibilidade independente da adição de TC, apresentando DIVMS de 874,9 g/kg com zero de tanino, seguida da cunhã com 725,8 g/kg. A adição de TC diminuiu linearmente a digestibilidade das dietas e, independente da adição de TC a jureminha apresentou menor digestibilidade verdadeira da MS. A leguminosa cunhã apresentou potencial para constituir parte da proteína em dietas formuladas para animais ruminantes. A inclusão do extrato purificado de TC da jurema preta resultou em redução nas taxas de degradação ruminal. Dessa forma, pode-se concluir que, em plantas naturalmente ricas em taninos, não é necessário aumentar ainda mais a concentração desses compostos.