DIVERSIDADE GENÉTICA DA RAÇA MANGALARGA
equino, estatística F, pelagens, pedigree
Estudos sobre a diversidade genética têm sido de grande importância em programas de melhoramento e conservação das raças, por fornecerem informações sobre caracteres de identificação de animais geneticamente superiores e sobre a endogamia, contribuindo para a tomada de decisões em relação à gestão genética. Objetivou-se com o estudo avaliar a diversidade genética dentro e entre diferentes populações da raça Mangalarga, assim como descrever a estrutura organizacional do rebanho. Foram utilizadas informações genealógicas de equinos da raça Mangalarga, nascidos entre 1919 e 2018, obtidas a partir do banco de dados do sistema de registro genealógico da Associação brasileira de criadores de cavalo Mangalarga (ABCCRM). Após a exclusão das informações inconsistentes, obteve-se um arquivo com dados de 206.426 animais. Para avaliar a estrutura organizacional da raça, considerou-se cada estado brasileiro, onde há registros de cavalos Mangalarga, como uma subpopulação. A origem e o uso dos reprodutores foram utilizados como parâmetros para classificar as subpopulações nos seguintes estratos: Núcleo, Multiplicador I, Multiplicador II, Comercial I, Comercial II e Isolado. Em uma segunda análise, além dos estados brasileiros, as diferentes pelagens encontradas na raça também foram consideradas como subpopulações. Assim, foram estimados os índices de fixação de Wright, e para obter a distância genética entre as subpopulações utilizou-se a Distância Mínima de Nei. Para tanto, os dados de pedigree foram submetidos ao software ENDOG 4.6. Além disso, o coeficiente de parentesco médio (AR) de cada indivíduo na população foi calculado, assim como o coeficiente de endogamia (F). Estados brasileiros como subpopulações - Dos 26 estados, a raça Mangalarga está presente em 22 mais o Distrito Federal. Desses, 63,63% foram classificados como rebanhos multiplicadores e 36,36% foram classificados como rebanhos comerciais. O valor médio estimado para Fis foi de 0,009379, Fit de 0,010606 e Fst de 0,001239. A média de F para a população total foi de 2,5%, já o AR foi de 2,29%. O dendrograma gerado a partir da distância de Nei reuniu os estados brasileiros em dois grupos com maior dissimilaridade genética, o grupo I foi formado pelo estado do Amapá e o grupo II pelos demais estados. Pelagens como subpopulações - A pelagem alazã foi responsável por 72,72% da contribuição genética de todas as pelagens. O valor médio estimado para Fis foi de 0,009647, Fit de 0,010641 e Fst foi de 0,001003. O valor médio de F foi de 1,03% e o AR de 0,997%. A partir do dendrograma obtido pelo método de agrupamento UPGMA observou-se organização das pelagens em dois grandes grupos com maior semelhança genética, o grupo I foi formado pelas pelagens pampa de alazã e pampa de preta e o grupo II formado pelas pelagens castanha, lobuna, pampa de baia, preta, rosilha, tordilha, pampa de tordilha, alazã amarilha, pampa de castanha e alazã. Conclui-se que a estrutura organizacional da raça Mangalarga é diferente da maioria dos animais de produção, não existindo rebanho núcleo e que a endogamia está sob controle no rebanho. Além disso, os índices de fixação Fis e Fit indicaram que não há excesso de homozigose entre as subpopulações (estados brasileiros e pelagens). O Fst mostrou que há baixa diferenciação genética para a população total.