Consórcio palma forrageira e sorgo forrageiro como suporte à instabilidade alimentar na produção animal no Semiárido
Caatinga, Forragicultura, Produção de Ruminantes
O cultivo consorciado das forrageiras palma e sorgo pode ser uma estratégia para contornar a estacionalidade na produção de forragem típica do Semiárido. Diante disso, o objetivo do presente trabalho foi avaliar a qualidade produtiva e nutricional de consórcios de palma e sorgo em condições de sequeiro, a fim de identificar a alternativa mais vantajosa às condições da região. Realizou-se um delineamento em blocos casualizados com três repetições em uma área da Fazenda Experimental da UFRPE. Foram avaliados três genótipos de sorgo (Sorghum bicolor) - BRS-Ponta Negra (S1), IPA-SF-15 (S2) e BRS-506 (S3) - em sistema de monocultivo e consorciado com palma forrageira - Opuntia stricta Var. Orelha de Elefante Mexicana – (fatorial 3x2). Essa suculenta foi avaliada em plantio exclusivo e sob efeito do consórcio (fatorial 1x2). No fim do ciclo, foram coletados dados morfológicos em ambas as culturas. As plantas foram cortadas e pesadas para determinação da produtividade de matéria verde (PMV) e seca (PMS). Outrossim, realizou-se amostragem das forrageiras para avaliação químico-bromatológica. Os dados foram submetidos à análise de variância, e as médias foram comparadas pelo teste de Turkey (5%). O maior número de folhas vivas no colmo (NFVC) foi encontrado no S2 (4,75 folhas), assim como os maiores valores de altura da planta (AP), diâmetro do colmo (DC) e comprimento da panícula (CP): 208,80 cm, 1,54 cm e 18,32 cm, respectivamente. O número de perfilhos vivos (NPV) e o número de folhas vivas nos perfilhos (NFVP) foi destaque no S3 (4,30 e 15,80, nessa ordem). Os genótipos 1 e 2 não diferiram estatisticamente (p>0,05) nas variáveis DC, NFVC e NFVP. A variedade S1 foi estatisticamente igual ao S3 (p>0,05) na variável AP e apresentou valores intermediários NPV (2,25) e CP (13,90 cm). Não houve diferença estatística (p>0,05) entre os genótipos para o número de folhas mortas no colmo (NFMC) e vivas totais (NFVT) – com produção de 5,5 e 14,11, respectivamente. O S3 apresentou os maiores teores de matéria seca (MS) e mineral (MM), destarte o menor teor de matéria orgânica (MO): 418,06 g/kg matéria verde, 35,17 g/kg MS e 964,82 g/kg MS, nessa ordem. O consórcio elevou o NPV (p=0,01112), NFVP (p=0,0283), NFVT (p=0,0370) e MM (p=0,0139). Não foi observado efeito da variedade (p>0,05), tampouco do sistema de cultivo (p>0,05) sobre os teores de proteína bruta (PB), extrato etéreo (EE), carboidratos totais (CHO), fibra em detergente neutro (FDN), fibra em detergente ácido (FDA), lignina digerida em ácido (LDA), celulose (CEL) e hemicelulose (HEM). Na palma forrageira, o consórcio elevou (p<0,05) o número de cladódios secundários (NCS) e totais (NCT), bem com os teores de EE e FDA. A PMV e PMS da palma e do sorgo não foram afetadas pelo sistema de cultivo (p>0,05). Também não houve variação entre os genótipos de sorgo (p>0,05). Portanto, a estabilidade na PMV, PMS e na maioria das variáveis bromatológicas nas plantas analisadas, em ambos os sistemas de cultivo, indica que o consórcio aumenta a produtividade de forragem por área, com efeito mínimo sobre a qualidade nutricional das forrageiras, o que o torna uma vantagem para os sistemas de produção em área passivas de instabilidade na segurança alimentar para os animais.