Formas Disponíveis de Fósforo e Manejo da Salinidade de Solos Afetados por Sais Cultivados com Sorgo Forrageiro
fracionamento de fósforo, Salinidade por magnésio, Corretivos orgânicos
A avaliação da fertilidade do solo e a correção da salinidade são essenciais para a produtividade agrícola, especialmente em regiões áridas e semiáridas. Este estudo aborda a salinidade do solo e a disponibilidade de fósforo, oferecendo uma visão abrangente sobre o manejo da fertilidade em solos afetados por sais. A salinidade do solo é um problema crescente, principalmente em regiões onde a evaporação excede a precipitação, resultando na acumulação de sais na superfície do solo. Esse problema é exacerbado pelo manejo inadequado da irrigação e fertilizantes.
Solos salinos e sódicos são classificados pela condutividade elétrica (CE) e pela percentagem de sódio trocável (PST). No entanto, altos níveis de magnésio (Mg) também podem degradar a estrutura do solo de forma semelhante ao sódio, devido à maior energia e raio de hidratação do Mg. Solos afetados por magnésio são identificados pela percentagem de saturação por magnésio (EMP). Estudos sugerem que a aplicação de gesso pode aumentar os níveis de cálcio (Ca), melhorando a estrutura do solo. Resíduos orgânicos, como lodo de laticínios, substâncias húmicas e biochar, também têm mostrado eficácia na mitigação da salinidade.
Para avaliar a salinidade por magnésio, foram selecionados solos de regiões com elevada saturação por Mg ou relação Ca/Mg < 1. Solos foram coletados em três municípios do Agreste de Pernambuco e caracterizados conforme métodos da EMBRAPA. Em seguida, foi montado um experimento em casa de vegetação utilizando o Planossolo Háplico Eutrófico solódico. Os tratamentos aplicados foram: gesso agrícola, lodo de laticínios, humato comercial, lodo + gesso, humato + gesso, biochar e uma testemunha.
O manejo da fertilidade em solos salinizados envolve a análise detalhada das frações de fósforo disponíveis. Este estudo avaliou a disponibilidade de fósforo em Cambissolos afetados por sais coletados em Serra Talhada, Pernambuco, utilizando um experimento em casa de vegetação com doses crescentes de fósforo (0, 30, 60, 90 e 120 kg ha⁻¹ de P₂O₅) aplicadas a solos cultivados com sorgo sudão, uma cultura tolerante à salinidade. A colheita do sorgo ocorreu aos 50 dias, e amostras de solo foram coletadas para determinar o fósforo disponível utilizando diversos extratores (Mehlich-1, Olsen, Chang & Jackson, Saunder, Soltanpour e “Pox”) e fracionamento químico do fósforo inorgânico.
Os solos estudados apresentaram pH variando de 5,2 a 7,4, sem elevados níveis de saturação por sódio, exceto em profundidades maiores no Vertissolo. A relação Ca/Mg foi sempre menor que 1, com alta saturação por Mg, indicando possível dispersão de argila e formação de agregados. O fósforo disponível foi alto nos horizontes superficiais e profundos em alguns perfis. O carbono orgânico total (COT) foi baixo, especialmente nos horizontes superficiais, e a condutividade elétrica (CE) variou entre 0,45 e 1,39 dS m⁻¹, indicando baixos problemas de sais. Tratamentos com lodo de laticínios e gesso mostraram melhores produções de matéria fresca e seca, enquanto o humato comercial e biochar não diferiram significativamente da testemunha. A adição de Ca deslocou Na e Mg na solução, melhorando a relação Ca/Mg. A aplicação de gesso e lodo foi eficaz na redução da saturação por sódio e magnésio, favorecendo a estrutura do solo.
Os resultados indicam que a disponibilidade de fósforo variou conforme o extrator utilizado. Técnicas de fracionamento e extração de fósforo são influenciadas pelas particularidades de cada solo, não sendo recomendada a utilização de uma única técnica para todas as condições. A análise de componentes principais (PCA) mostrou que diferentes extratores e frações de fósforo influenciam a disponibilidade do nutriente para as plantas. Os tratamentos com doses crescentes de fósforo mostraram que a aplicação de P aumentou a disponibilidade do nutriente no solo e a absorção pelo sorgo sudão, indicando a importância do manejo adequado do fósforo para culturas em solos salinizados.
A gestão integrada da salinidade e da disponibilidade de fósforo, utilizando técnicas adaptadas às especificidades de cada solo, é essencial para a manutenção da fertilidade e produtividade agrícola em regiões afetadas por sais. A aplicação de gesso e resíduos orgânicos, como lodo de laticínios, mostrou-se eficaz na melhoria da estrutura do solo e na disponibilidade de nutrientes, enquanto o manejo adequado do fósforo, utilizando múltiplos extratores, é crucial para garantir a absorção eficiente pelas plantas.