Resposta do milheto (Pennisetum glaucum (L.) R. Br.) ao uso integrado de inoculante biológico promotor de crescimento vegetal e pó de rocha: características agronômicas e disponibilidade de nutrientes no solo
Milheto forrageiro, Remineralizador, bacterias solubilizadoras, Semiárido brasileiro
A produção de forragens no Agreste de Pernambuco é fortemente condicionada pela irregularidade das precipitações, elevada evapotranspiração, baixa capacidade de troca catiônica dos solos e pela dependência brasileira de fertilizantes potássicos importados. Nesse contexto, o milheto (Cenchrus americanus (L.) Morrone [=Pennisetum glaucum (L.) R. Br.]) destaca-se como espécie forrageira adaptada às condições do Semiárido, devido ao seu ciclo relativamente curto, elevada tolerância ao déficit hídrico e às altas temperaturas, sistema radicular profundo e alta eficiência no uso da água. Paralelamente, a regulamentação dos remineralizadores ampliou as perspectivas de utilização de pós de rocha como fontes alternativas de nutrientes, especialmente em regiões próximas às áreas de mineração. Assim, esta dissertação teve como objetivo avaliar o desempenho agronômico do milhetosubmetido à aplicação de pó de rocha silicatada, isoladamente ou em associação com inoculante biológico à base de Bacillus spp. O experimento foi conduzido em casa de vegetação da Universidade Federal do Agreste de Pernambuco, em Garanhuns-PE, utilizando Neossolo Regolítico proveniente do município de São João-PE, em delineamento em blocos casualizados, com seis tratamentos e cinco repetições, durante três ciclos de cultivo. Foram avaliadas variáveis morfofisiológicas, morfogênicas e produtivas da cultura. Os resultados demonstraram que a aplicação de pó de rocha na dose equivalente a 60 kg ha⁻¹ de K₂O, sem inoculação, promoveu desempenho morfogênico superior ao tratamento apenas inoculado e, no terceiro ciclo, proporcionou produção de massa seca da parte aérea 32,6% superior à obtida com a adubação mineral NPK. De forma geral, os resultados indicam que o remineralizador constitui alternativa tecnicamente viável para o fornecimento de potássio ao milheto, contribuindo para o aumento da produtividade da cultura, a valorização de recursos minerais regionais e a redução da dependência de fertilizantes potássicos importados, reforçando seu potencial para sistemas de produção forrageira no Semiárido brasileiro.