AVALIAÇÃO DE DIFERENTES TAXAS DE ADMINISTRAÇÃO DE PROPOFOL PARA INDUÇÃO ANESTÉSICA EM CAPRINOS
Anestesia geral; Hipnóticos intravenosos; Ruminantes.
A anestesia geral em caprinos apresenta desafios específicos em razão das particularidades fisiológicas dos ruminantes e da escassez de protocolos anestésicos validados para a espécie, especialmente no que se refere ao momento crítico da indução anestésica. O propofol é amplamente utilizado na medicina veterinária devido ao rápido início de ação, curta duração e recuperação anestésica suave; entretanto, sua administração pode ocasionar depressão cardiorrespiratória significativa, particularmente quando administrado em bolus ou em altas velocidades de infusão. Diante disso, o presente estudo teve como objetivo avaliar os efeitos de diferentes taxas de administração de propofol na indução anestésica de caprinos, determinando a dose necessária para indução, a incidência de apneia pós-indução e as alterações nos parâmetros fisiológicos cardiorrespiratórios, a fim de identificar a taxa de infusão mais segura e eficaz para a espécie. Foram utilizados seis caprinos machos, hígidos, da raça Boer, com idade entre 11 e 12 meses. Cada animal recebeu quatro taxas diferentes de infusão de propofol – 0,5, 1,0, 1,5 e 2,0 mg/kg/min – com intervalo de uma semana entre os procedimentos. Os animais foram pré-medicados com xilazina (0,1 mg/kg) e a indução anestésica foi realizada por meio de bomba de infusão até a obtenção de plano anestésico compatível com a intubação orotraqueal. Foram avaliados a dose total de propofol administrada, o tempo até a indução anestésica, a ocorrência e a duração da apneia pós-indução, bem como a frequência cardíaca, frequência respiratória, saturação periférica de oxigênio, pressão arterial e dióxido de carbono ao final da expiração. Os resultados demonstraram que a velocidade de administração do propofol exerce influência direta sobre o tempo de indução, a dose total necessária e a estabilidade cardiorrespiratória dos caprinos, sendo observada maior incidência de apneia e instabilidade respiratória nas taxas de infusão mais elevadas. Em contrapartida, taxas intermediárias proporcionaram indução anestésica eficaz, com menor ocorrência de apneia e maior estabilidade fisiológica. Conclui-se que a administração do propofol nas taxas de 1,0 e 1,5 mg/kg/min representa uma estratégia mais segura para a indução anestésica em caprinos, apresentando o melhor equilíbrio entre eficácia anestésica e segurança cardiorrespiratória.