ATIVIDADE ANTIMICROBIANA DE EXTRATO DA PITANGUEIRA (Eugenia uniflora L.) FRENTE BACTÉRIAS CAUSADORAS DE MASTITE
Staphylococcus aureus; nanopartículas de prata; síntese verde; nanotecnologia.
A mastite bovina é uma das principais enfermidades que afetam a pecuária leiteira, com impacto econômico significativo e relevância em saúde pública, sendo Staphylococcus aureus um de seus principais agentes etiológicos, especialmente devido à sua capacidade de desenvolver resistência antimicrobiana. Diante desse cenário, o uso de plantas medicinais como fontes de compostos bioativos, com ênfase em Eugenia uniflora, bem como o emprego da nanotecnologia, especialmente nanopartículas de prata, surge como estratégias alternativas e complementares ao uso de antibióticos convencionais. O estudo teve como objetivo avaliar o perfil fitoquímico, a toxicidade e a atividade antimicrobiana do extrato bruto e da fração acetato de etila do caule de E. uniflora, além de investigar a atividade antimicrobiana de nanopartículas de prata sintetizadas por rota verde utilizando o extrato vegetal e por método químico convencional. O material vegetal foi submetido à extração e fracionamento líquido-líquido, com determinação do rendimento do extrato bruto. A toxicidade foi avaliada por meio do bioensaio com Artemia salina. A prospecção fitoquímica qualitativa foi realizada para identificação das principais classes de metabólitos secundários, assim como a quantificação de compostos fenólicos e flavonoides totais. A síntese das nanopartículas de prata foi acompanhada por espectroscopia UV-Vis para avaliação da formação e estabilidade coloidal. A atividade antimicrobiana foi determinada pela concentração inibitória mínima e concentração bactericida mínima frente a cepas de S. aureus associadas à mastite bovina. Os resultados evidenciaram a presença de diversas classes de metabólitos bioativos no caule de E. uniflora, com teores relevantes de compostos fenólicos e flavonoides. Os extratos apresentaram atividade antimicrobiana com efeito predominantemente bacteriostático. Em contraste, as nanopartículas de prata demonstraram atividade significativamente superior, com efeito bactericida em concentrações submicrogramas por mililitro, inclusive frente a cepas resistentes. Conclui-se que os objetivos propostos foram alcançados, que o problema de pesquisa foi esclarecido e que o caule de E. uniflora constitui uma fonte promissora de compostos bioativos ainda pouco explorada, enquanto a síntese verde de nanopartículas de prata se mostra uma alternativa relevante no controle de patógenos associados à mastite bovina.