ESTUDO CLÍNICO, EPIDEMIOLÓGICO E ANATOMOPATOLÓGICO DE
BOVINOS ACOMETIDOS POR ÚLCERA DE ABOMASO TIPO 5
bovinos leiteiros; bursite omental; úlceras perfuradas; abomasite fúngica.
As úlceras de abomaso constituem importante enfermidade do trato digestório de bovinos, impactando saúde, bem-estar e produtividade, especialmente em rebanhos leiteiros. As lesões variam desde úlceras superficiais, limitadas à mucosa e camada muscular, até perfurações completas da parede do órgão, com consequências clínicas potencialmente fatais. Classificadas em cinco tipos (1 a 5), a úlcera de abomaso do tipo 5 caracteriza-se pela perfuração da face lateral esquerda, extravasamento de conteúdo para a bolsa omental e desenvolvimento de bursite omental, podendo evoluir para peritonite difusa. Apesar de grave, é pouco relatada na literatura, com sinais clínicos inespecíficos, reforçando a necessidade de estudos detalhados para diagnóstico precoce. Diante disso, o presente estudo objetivou identificar os principais aspectos clínicos, epidemiológicos e anatomopatológicos de bovinos acometidos por úlcera de abomaso do tipo 5 atendidos na Clínica de Bovinos de Garanhuns/UFRPE entre 2014 e 2026. Foram selecionados para o estudo 13 bovinos leiteiros (30% machos, 70% fêmeas; 37,6 ± 17,7 meses), sendo que a maioria das fêmeas encontrava-se no terço final de gestação ou até 60 dias pós-parto, todos os animais apresentavam comorbidades. O quadro clínico incluiu anorexia, apatia, taquicardia, redução da motilidade ruminal e aumento da tensão da parede abdominal. À ausculta com balotamento e percussão do flanco direito, evidenciou a presença de líquido abdominal e ressonância timpânica. Também foram observadas alterações fecais, como diminuição do volume, fezes enegrecidas e melena, assim como dor abdominal em mais da metade dos animais. Laboratorialmente, destacaram-se leucocitose, aumento do fibrinogênio plasmático e hipoproteinemia. A ultrassonografia evidenciou peritonite em vários casos, sugerindo bursite omental e úlcera de abomaso do tipo 5 em um animal, enquanto a abdominocentese confirmou inflamação abdominal em todos os bovinos. Desfechos negativos, óbito ou eutanásia, foram observadas em todos os casos e a confirmação diagnostica foi realizada à necropsia. Os achados macroscópicos incluíram peritonite focal ou difusa, bursa omental distendida, com parede espessada e preenchida por material fluido amarronzado contendo fibras alimentares e exsudato inflamatório, além de úlcera perfurada em face esquerda de abomaso. Histologicamente, constatou-se abomasite fibrinonecrótica acentuada, com envolvimento fúngico em dois casos. Os dados apresentados confirmam o caráter grave e altamente letal da enfermidade, cujas manifestações clínicolaboratoriais inespecíficas dificultam o diagnóstico em vida, reforçando a importância de exames complementares para sua confirmação. Nesse contexto, se torna fundamental o desenvolvimento de novos estudos que explorem o uso dessas ferramentas como estratégia de
5 diagnóstico precoce, permitindo decisões clínicas mais eficazes, reduzindo custos e prevenindo sofrimento animal.